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Nossa história começou em 1984 quando nos conhecemos e começamos a namorar dia 30 de maio do ano mencionado. Eu, Flávia, com 17 e o Cláudio, Nenão, com 21. Com o tempo fomos nos apaixonando mais e mais passamos por poças e boas no período de nosso namoro até que em final de 1988 resolvi falar com ele sobre a possibilidade de nos casarmos pois já estávamos juntos desde 1984. Ele achou loucura, pois éramos jovens e ainda tínhamos muito para viver. Ele tinha uma confecção de roupas chamada EYEWASH e ainda tentava levar os seus desenhos, e eu trabalhando como professora de inglês e fazendo faculdade, na época estava no terceiro ano de linguística na UNICAMP. Ele fez a proposta que se eu conseguisse provar para ele que teríamos como pagar nossas contas ele aceitaria meu pedido. Pois bem fiz as contas e provei QUE PODERÍAMOS NOS CASAR. Marcamos a data para 7 de outubro de 1989. Foi tudo muito simples, mas muito bonito, não fizemos festa e não tivemos lua de mel, mas mesmo assim estávamos felizes.

 

No ano seguinte a situação ficou complicada, pois a economia brasileira se complicou com o plano Collor, mas mesmo assim continuamos nossa batalha e em janeiro de 1991 descobri que estava grávida do nosso primeiro filho. Foi uma loucura, mas conseguimos sair do vermelho e levantar nossas finanças, com certeza o nascimento do Sergio nos deu forças para continuar a nossa luta.
Pouco antes do nascimento dele o Claudio conseguiu um novo emprego e começou a trabalhar na Localiza, e em pouco tempo foi promovido para gerente de contas o que melhorou bastante nossa condição. Em final de 1995 fomos fazer uma viagem aos Estados Unidos, onde desconfiei que estivesse grávida de nossa filha Tatiane. Isso deu início a uma nova fase em nossas vidas, pois ele resolveu abrir uma nova empresa mais ou menos na mesma época. Tatiane nasceu em Agosto de 1996 exatamente 5 anos depois do nascimento do Sergio.
A partir de 1999 começamos a comemorar nossos aniversários de casamento com viagens só nós dois. Isso fez com que nosso amor ficasse cada vez mais forte, apesar dos percalços da vida. Tivemos muitos altos e baixos em nosso relacionamento, mas isso nunca diminuiu o nosso amor e nossa perseverança. Sempre mantivemos nossos sonhos e nossos objetivos em andamento, como o intercâmbio das crianças e fazer o melhor possível para mantê-los no caminho da boa educação e de possível sucesso na vida.

 

Em 2007 enviamos nosso filho Sergio para um programa de intercâmbio nos Estados Unidos no mesmo lugar onde eu morei. Em 2008 fizemos uma viagem ótima em família, nós 4 e mais um casal de amigos. Viajamos por 22 dias por lá e voltamos para casa.
A partir daí as coisas começaram a complicar na vida profissional do Claudio, mas nunca deixei a peteca cair. Nós sempre batalhamos juntos e continuaria a batalhar ao lado dele.
Bem, aí em 2010 a grande virada de nossas vidas começou; ele começou a reclamar de muitas câimbras e muito formigamento nos braços. Resolveu pedir ajuda a um amigo médico que indicou que ele comesse mais banana, pois isso era indicação de falta de potássio. Com o tempo isso não funcionou mais e o convenci a procurar um médico especialista. Resolveu procurar um ortopedista que na época pediu vários exames e que resultados explicariam os sintomas, mas mesmo assim pediu uma Eletroneuromiografia. Esse exame foi um grande chute no **** pois nos revelou a possibilidade do diagnóstico da ELA.

 

Eu não me dei por satisfeita e fui atrás de pessoas que pudessem me ajudar e me indicaram vários neurologistas, mas todos se davam por vencidos dizendo que a doença não tinha cura e que só teria 6 meses de vida. Achei aquilo um absurdo e fui atrás de outras pessoas até que cheguei no Dr. Marco Chieia em São Paulo que nos deu outra perspectiva de vida e de tratamento. Ele nos disse que sim era uma doença degenerativa e sem cura, mas que havia pessoas com qualidade de vida e sobrevida muito além dos seis meses.
Neste período Claudio começou a frequentar mais assiduamente a igreja Presbiteriana Chácara Primavera. Com a ajuda dos Pastores Ricardo Agreste, Eduardo, dentre outros, ele foi ficando cada vez mais forte espiritualmente e cada vez mais confiante que as coisas estavam se encaminhando de acordo com a vontade de DEUS e que tudo ficaria bem.

 

Começamos a nossa saga para estender ao máximo a vida dele com qualidade e segurar a evolução da mesma. Com vários exames o diagnóstico foi realmente confirmado, mas nunca deixamos que a doença realmente nos vencesse. Conseguimos continuar nossas vidas, eu sempre procurando coisas para retardar a evolução da doença e sempre mantendo as crianças no rumo delas.
Mesmo com o diagnóstico da doença a Tatiane foi fazer intercâmbio em 2011 por um ano, o Sergio continuou a faculdade em Botucatu. Em 2013 inclusive foi fazer uma viagem pela Europa, onde pode aprimorar seus conhecimentos na área da engenharia florestal. A Tatiane continuou os seus estudos e entrou na faculdade.
Temos lutado diariamente com a doença, e estávamos indo bem até que em 23 de janeiro de 2014 Cláudio sofreu um TCE que o deixou hospitalizado durante quase 2 meses. Após esse período, 2 pneumonias e uma meningite ele veio para casa. Sem andar, sem falar e sem se mexer. Dependente de todos para tudo. Achamos que na realidade isso tudo foi para diminuir um sofrimento maior com a evolução da doença, mas mesmo assim foi muito difícil, e tem sido muito difícil, mas o amor em família que temos nos mantém de pé e com motivação para continuarmos.

 

Tivemos que aprender a lidar com traqueotomia, gastro e enfermagem 24 horas em casa. Além de mais de 13 pessoas diferentes que entram e saem da minha casa semanalmente. É um stress constante que lidamos com amor e com perseverança. Se falar que a situação é fácil estaria mentindo, mas tê-lo em casa com o sorriso no rosto participando de minha vida e da vida das crianças é muito importante e gratificante.
Corremos de um lado para o outro, sofremos com uma coisa ou outra, mas o mais importante de tudo é que estamos juntos e que ele está cumprindo a missão dele de maneira honrosa e bonita.
Todas as pessoas que têm a oportunidade de estar com ele de conversarem com ele de partilharem com ele sempre têm algo a agradecer e algo a aprender. Ele é uma lição de vida extrema e muito bonita de se ver e de conviver. Estar com ele é sempre bom e especial.

 

Sim ele tem os dias de tristeza e de estar sisudo e bravo… Mas quem não tem???
Estamos rodeados de profissionais de alto nível que nos ajudam a mantê-lo bem e com qualidade de vida apesar de tudo. Tem os fisioterapeutas, a TO, dentre outros profissionais.